nasci levantada pela mão do mar
que sem dor rasgou a sua pele à superfície
para me trazer a respirar a maresia aquecida pelo sorriso do por do sol
mergulhei muito longe com a minha cauda de sereia
até partir o cordão umbilical que me prendia ao leito do mar
desci ao escuro e ao frio das profundezas marinhas
para me vestir de reluzente pela bioluminescência
prendi nos meus cabelos um véu de alforrecas e ctenóforos brilhantes
respirei o enxofre das fumarolas das cristas oceânicas
um vulcão ensaguinou-me de lava dragão de fogo
rebentei a pele do mar e fui jorrada contra a areia
parti a crosta azul e tóxica que me cobria,
sacudi-me para me voltar a cheirar
olhei-me ao espelho no vitrio da água
e encontrei nos pés da areia um colar esmeralda
tenho-o no peito
e quando adormeço com ele sonho que voo dentro do mar
numa espiral que me rodopia e me leva até às estrelas para eu dançar
20.1.16
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