1.6.12

deixei-me adormecer num caracol

acordei na sua espiral, enrolada e vestida de arco-íris
espreguicei-me e sem querer perdi a minha casa
caí num lago parado à beira do arvoredo
e com um pauzinho estiquei a sua pele porque queria ver-me ao espelho
os meus olhos falaram e então, em vez de cores vi o meu rosto de mulher bonita

a concha da tua mão agarra-me

como agarras a água que levantas da fonte para a tua boca
e no momento em que me levas aos teus lábios
eu respingo e encharco a tua pele
e mergulho... lá dentro de ti,
e adormeço numa aragem e fico a baloiçar no teu amor



gelatina

tem um brilho fresco de Verão
é como uma sombra esverdeada
daquelas folhas rebentos das árvores