13.12.18

como eu gostava de entrar dentro de ti mar
como um pássaro que mergulha com asas para nadar dentro da tua barriga
como eu gostava de te pertencer e de ser abraçada por ti nas grandes ondas
leva me a respirar no teu fundo
quero soltar o meu ar para me encher da tua água
bebes-me ? engoles-me? sentes o meu sabor?
quando eu fecho os olhos quase que chego ao pe de ti e fico maresia

9.12.18

quando eu morrer ficará o meu cheiro
o fumo do calor que eu senti com o rubro de correr
quando eu morrer vao ficar os sorrisos que demos uns ao outro
as linhas que nos ligaram e os passos que demos
quando eu morrer ficam as palavras que eu disse
as ondas que eu desci, a água que eu bebi
quando eu morrer só quero que a dor de te perder morra também
quando eu morrer só quero que os gritos que demos que morram também
quando eu morrer só quero que tu não morras também

12.4.18

passar para a outra margem

todos os caminhos que fizemos nos trouxeram aqui
tenho de ter coragem para atravessar para a outra margem
acreditar que também lá encontrarei o amor da minha vida

13.11.16

cicatriz

se eu a pudese arrancar dentro de mim 
é um trilho por onde escorre a carruagem da dor
que sai da paragem do nevoeiro para me incendiar
onde estive eu 
porque é que isto aconteceu?
tantas vezes que eu não quero acreditar 
volto a cada momento atrás à procura de espreitar
para impedir que não tivesse acontecido
um dia eu chorei sozinha muito 
no fundo havia uma razão para estar sozinha
voucontinuar sozinha
como e que eu posso acreditar

vou saltar de pedra em pedra rodopiar com o vente
fazer amosr com as ondas do mar
e não voltar mais para este mundo que escorre na maninha cicatriz
vou beber vou sonhar drogada despedia de amor
custa tanto custa tanto 
onde doi é tao fundo
gostva de me curar com mel com ua estrada demel e hortela
um doce quentinho que me parasse esta dor
encavalitada como um gancho como um monstro

sera que vou conseguir perdoar?
é tão bruta tão cruel tão nojenta a verdade
acho que só vivo embriagda quando os nossos corpos se juntam 
não tenho mais nada sou nada
sou mesmo nada 

6.7.16

nua

nua sou eu
adoro quando o vento toca nos meus cabelos e me acaricia o rosto
adoro quando entro no mar vestida apenas com o meu corpo
tenho saudades de estar viva

Tenho tanta saudade de aqui estar



19.3.16

deitei-me num vale

que tinha um colchão de flores
senti um arrepio de sono
e as paredes da montanha fechara-me sobre mim
acacharam o meu cansaço
e eu adormeci embrulhada
deslizando pelo vale em direcção ao mar

1.3.16

A minha roupa despiu-me

só para ter o prazer de me ver nua
para depois voltar a
abraçar-me com o seu corpo

30.1.16

Mar

acacha-me de mansinho
com as tuas ondas
para eu dormir ao pé de ti
salgada na areia molhada

26.1.16

às vezes dou por mim

a descer ao fundo do meu corpo
para encontrar o fundo do mar
onde sei que me deito e adormeço

24.1.16

Eu sonho quando eu acordo

despejada na areia
pelos braços de uma onda
vestida de múmia.
É então que a minha força rebenta a crisálida
e eu ergo-me esvoaçante
vestida de lenços brancos transparentes
que perfumam os raios de sol quando eles passam por mim
caminho de cabeça erguida
respiro a melodia do meu sorriso
e começo a voar