é quando a multidão dos meus filhos se desprende de mim
e eu sou levitada pela nuvem branca e me deboto no imenso azul do céu
é quando eu me olho ao microscópio e fico perdida no meu caminho
é quando a água fria gela e sela os meus pés num chão de gelo
e o meu corpo nu entronca e se deixa enrugar como a crosta do sobreiro
é quando eu caio num não sei como buraco negro
onde nem os teus lábios luzem com a luz do mar
e quando eu me baloiço,
às vezes vejo uma miragem, um sopro de uma memória
e quando consigo escalar por ela acima vejo-me de novo
a respirar na solidão cheia de silêncio macio onde eu me deito fecho a roupa e sonho
no topo de uma montanha, voo de águia, mãe, mulher esguia, hera, feijoeiro mágico
e encontro a chave que faz soprar o vento, bafejar os vidros, crescer a erva
que faz tocar o meu despertador quando tu me acordas com um beijo
então eu penduro o meu sorriso na corda e deixo-o ao sol a secar
e faço escorrer a saudade que me encharca e voo
31.8.12
21.8.12
ontem
mergulhei no mar salpicado de algas soltas
abri os olhos e encontrei nas suas frondes o teu amor por mim
tão macio como a pele do codium
tão bonito como a renda do spherococcus
tão preso como os ganchos do asparagopsis
tão luzidio como padina
respirei na água,
e quando levantei a cabeça para ver o céu
vi um bracejar de uma barbatana e depois outra
voltei a respirar na água e foi então que te encontrei
estavas sentado no assobio de um roaz
a sorrir para mim, meloso
encontrei-te meu amor!
subi para o teu colo e ficámos abraçados pela nossa melodia
grande como o mar
abri os olhos e encontrei nas suas frondes o teu amor por mim
tão macio como a pele do codium
tão bonito como a renda do spherococcus
tão preso como os ganchos do asparagopsis
tão luzidio como padina
respirei na água,
e quando levantei a cabeça para ver o céu
vi um bracejar de uma barbatana e depois outra
voltei a respirar na água e foi então que te encontrei
estavas sentado no assobio de um roaz
a sorrir para mim, meloso
encontrei-te meu amor!
subi para o teu colo e ficámos abraçados pela nossa melodia
grande como o mar
5.8.12
país das maravilhas
há bolas de sabão que engordam ao vento
e rebentam com o pestanejar
há botões de rosa feitos de pétalas de saudades
nesse país, a barriga sabe a framboesa
por isso, as pessoas são deliciosas por dentro
e quando se olham nos olhos,
vêm campos onde o seu perfume pode germinar
e quando se olham nos olhos,
vêm campos onde o seu perfume pode germinar
3.8.12
preciso de infinito
de nadar numa aurora boreal
e sonhar que estive a viver numa galáxia
dentro do tubo de aguarela
de quem tenho tantas saudades
e sonhar que estive a viver numa galáxia
dentro do tubo de aguarela
de quem tenho tantas saudades
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