é quando a multidão dos meus filhos se desprende de mim
e eu sou levitada pela nuvem branca e me deboto no imenso azul do céu
é quando eu me olho ao microscópio e fico perdida no meu caminho
é quando a água fria gela e sela os meus pés num chão de gelo
e o meu corpo nu entronca e se deixa enrugar como a crosta do sobreiro
é quando eu caio num não sei como buraco negro
onde nem os teus lábios luzem com a luz do mar
e quando eu me baloiço,
às vezes vejo uma miragem, um sopro de uma memória
e quando consigo escalar por ela acima vejo-me de novo
a respirar na solidão cheia de silêncio macio onde eu me deito fecho a roupa e sonho
no topo de uma montanha, voo de águia, mãe, mulher esguia, hera, feijoeiro mágico
e encontro a chave que faz soprar o vento, bafejar os vidros, crescer a erva
que faz tocar o meu despertador quando tu me acordas com um beijo
então eu penduro o meu sorriso na corda e deixo-o ao sol a secar
e faço escorrer a saudade que me encharca e voo
31.8.12
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário