30.1.12

És capaz de mentir

com batom da cor da verdade nos lábios
vestes-te de general, elevas os pés, ciscas o nariz
e saiem em corneta, as palavras demagógicas
ei-las no palco! belas construções lógicas,
recheadas de todo o sentido,
um, dois, três
um, dois, três,
nem pio,
ei-las!
e como te fazem sentir ainda mais grande e mais belo o verde dos teus olhos
não sentes o cheiro vindo dos teus subterrâneos,
onde deixaste os esqueletos das palavras virgens?

deixo-me ser lancetada
mas hoje dispo-me deste ódio que te me tenho
e ressuscito no mergulho vítreo na água do meu mar


29.1.12

há um pôr do sol

dentro da manteiga de amendoim
que me aconchega de dourado e se cola ao céu da minha boca
fico eu pintada de gulosa, laranja e carmim
quentinha e deliciada



25.1.12

és o meu ninho

onde eu pestanejo os meus olhos
amacio os meus pés
penteio um sorriso para ti
para o momento em que tu chegas
e me abraças com as tuas ondas
e me rodopias
e me pintas com coroas de flores.
Depois fico deitada no colo dos teus olhos
a abrir o teu horizonte cheio de miragens giroscópicas
e ali fico tonta, aninhada,
a diluir-me contigo sem saber a que sabor me vais levar desta vez.



Agro

Agro é o sabor que tempera o meu sal
que me volatiliza em pedaços de pó
Agro é o sabor que veio morar no meu espelho
e que não me deixa ser transparente nem vítria nem luminosa
É amargo maligno e amargurado
uma mão negra que me despede da maresia onde me criei