4.12.09

fecho os olhos

e abro os braços ao meu sono
que me encanta e me canta
sonhos de pirilampos e cavalos voadores bordados com flores
no meu lençol de água de flanela 



O mar é a minha casa

onde eu deito os meus cabelos de molho 
inundo a minha pele e a tempero de frio e de algas
no meu quarto
onde eu flutuo livre, "desnuda", eterna, macia, orgásmica
onde eu sorrio
quando os barbilhos do salmonete espalham cócegas pela areia 
onde eu páro
para ver as algas a vacilar, tontas, embriagadas pelo mar 
onde me apetece encostar na água
onde eu tenho a minha cozinha, transparente, química, 
onde eu me deito num tapete de solha, à lareira, no fundo do mar
quem me dera ser mesmo verdade, salgada pelas ondas
quem me dera ser mesmo feita de infinidade, como o mar
quando eu o olho e me apaixono por mim
e acordo coberta de beijos de areia e espuma


deslizo nas palavras

como uma lágrima de chuva "engravitada", janela abaixo
tenho de ir...
vou amarrar as palavras com uma corda 
para que elas não me oiçam
e me deixem adormecer afundada na mão pequenina do meu filho Miguel