onde eu deito os meus cabelos de molho
inundo a minha pele e a tempero de frio e de algas
no meu quarto
onde eu flutuo livre, "desnuda", eterna, macia, orgásmica
onde eu sorrio
quando os barbilhos do salmonete espalham cócegas pela areia
onde eu páro
para ver as algas a vacilar, tontas, embriagadas pelo mar
onde me apetece encostar na água
onde eu tenho a minha cozinha, transparente, química,
onde eu me deito num tapete de solha, à lareira, no fundo do mar
quem me dera ser mesmo verdade, salgada pelas ondas
quem me dera ser mesmo feita de infinidade, como o mar
quando eu o olho e me apaixono por mim
e acordo coberta de beijos de areia e espuma