28.2.12

quero ancorar-me ao teu corpo

e pedir-te que me deixes caminhar descalça
com os meus lábios pelo teu rosto
para deixar-te o rasto da minha saudade por ti

22.2.12

sinto-me um papel amachucado

a fechar os olhos
e a morrer amarrotado dentro das suas dobras
que agora são esquinas e viragens do labirinto da solidão desgraçada
de quem sente a perda do amor de um filho





20.2.12

E se eu me encharcasse de flores?

e me fechasse num botão
e me deixasse escorregar no calor da luz do dia,
e me abrisse
e deixasse o meu cheiro respirar
e ele falasse de mim aos insectos ...
E se eu me encharcasse de flores, para ti?
e me beijasses pétala a pétala
e me adorasses folha a folha
e fizesses da minha cor um arco-íris
e me transformasses num lírio de véu e grinalda
e me levasses para o alto de uma árvore
para me dizeres,
amo-te Raquel...

9.2.12

faz-me bem a falta de ar

deixa-me respirar melhor
sozinha, no meu canto
embalada pelo vazio onde eu e só eu bafejamos
que se lixe a solidão
que se chegue para lá
há um deserto no meu coração
e vou mordê-lo: UAMMM... IAC...

quero ficar escondida

dentro da tua concha
toda fechada e toda dobrada
para caber junto do teu corpo
de amêijoa boa do mar

6.2.12

adoro a forma como tu me embrulhas

e me pões ao teu colo,
o canto onde eu me sinto um lírio branco, acariciada.