30.1.16

Mar

acacha-me de mansinho
com as tuas ondas
para eu dormir ao pé de ti
salgada na areia molhada

26.1.16

às vezes dou por mim

a descer ao fundo do meu corpo
para encontrar o fundo do mar
onde sei que me deito e adormeço

24.1.16

Eu sonho quando eu acordo

despejada na areia
pelos braços de uma onda
vestida de múmia.
É então que a minha força rebenta a crisálida
e eu ergo-me esvoaçante
vestida de lenços brancos transparentes
que perfumam os raios de sol quando eles passam por mim
caminho de cabeça erguida
respiro a melodia do meu sorriso
e começo a voar



23.1.16

Adoro quando a vida faz de tábua

e me deixa escrever quem eu sou
para eu me ler ao espelho
nos dias em que me perdi

Eu amo o mar

21.1.16

coração azul

vem espreitar debaixo da minha cabeceira
descalça te para veres o mar comigo

20.1.16

Sem respirar

cerro so dentes
vivo enterrada
morro num sopro

Nasci levantada pela mão do mar

nasci levantada pela mão do mar
que sem dor rasgou a sua pele à superfície
para me trazer a  respirar a maresia aquecida pelo sorriso do por do sol
mergulhei muito longe com a minha cauda de sereia
até partir o cordão umbilical que me prendia ao leito do mar
desci ao escuro e ao frio das profundezas marinhas
para me vestir de reluzente pela bioluminescência
prendi nos meus cabelos um véu de alforrecas e ctenóforos brilhantes
respirei o enxofre das fumarolas das cristas oceânicas
um vulcão ensaguinou-me de lava dragão de fogo
rebentei a pele do mar e fui jorrada contra a areia
parti a crosta azul e tóxica que me cobria,
sacudi-me para me voltar a cheirar
olhei-me ao espelho no vitrio da água
e encontrei nos pés da areia um colar esmeralda
tenho-o no peito
e quando adormeço com ele sonho que voo dentro do mar
numa espiral que me rodopia e me leva até às estrelas para eu dançar