15.9.15

sabes o que eu sei?

que quando acordo, acordo com mágoa
pressionada por um céu nublado que me cerra os dentes e aperta o sorriso
gostava de ter a "lenguidão" do desabrochar de um botão de flor
ou a imensidão das águas do mar
onde está o relógio da harmonia que perdi?



28.8.15

Morreu o Asa

sinto o mar vazio no meu estômago
mergulho nesta náusea
para já, não consigo dizer mais










12.2.15

Pedido de casamento

Mar
se eu me vestir nua de véu e grinalda puros de sal
e beijar os meus lábios na tua pele azul,
casas comigo, mar?

10.2.15

cabelos ao vento

ervas plantadas na duna à beira-mar
quem me dera viver com os pés enterrados na areia
lavar-me todos os dias com a maresia do mar
perfumar-me com o rosa da arméria da Primavera
deixar que os dias tomem conta de mim
esperar pelo dia em que uma onda roubada à tempestade
parta os meus cabelos ao vento
e eu parta em jangada a flutuar mar afora
quem me dera viver lá dentro do mar
quem me dera

apenas

um respingar de luz
a escorrer pela pele do mar abaixo
numa onda melosa
que me deita ao sol sem toalha na areia
onde eu me seco
sou um entre infinitos outros
apenas um grão de areia

22.1.15

azul tenrinho do céu

que acabaste de brotar debaixo das saias das nuvens negras
vens voar comigo?
e quando estiveres maduro e escuro pelo calor das searas,
vens correr comigo?
correr até ficares com as faces roxas, vermelhas e rosas
cansado, deitado no negrume da noite.
Fica comigo numa estrela à espera da boleia do infinito
que nos levará para muito longe,
vens voar comigo, azul tenrinho do céu?


19.1.15

orgulho

que fedes
diz-me espelho meu,
quem mais orgulha do que eu?

17.1.15

olha a chuva que cai

tocada pelo vento numa guitarra ao léu

censura

sujas de preto a minha transparência
fazes de mim um campo de concentração
onde me despem, violam, descarnam
quando eu era viva tinha um perfume inocente
só quem me amava verdadeiramente é que sabia o seu sabor

dá-me o teu corpo

enroliça-me onda gigante