ao colo, nos cabelos do vento
como uma cereja morna ao entardecer
cosida pelo fio de um qualquer suspiro.
Deixa-me sentar aqui.
Daqui vê-se tudo:
os saltos altos e os batons dos meus sonhos
as malas que me ofereceu a saudade
as casas dos botões dos vestidos vermelhos
o decote, quando me esqueci das coecas
a ternura, tu por mim adentro.
Sabes, fazes-me espreguiçar
e quando eu não consigo mais, rebento em queda livre
sobre um piano que toca acordeão e arpa
num baile de vodka e bochechas rosadas
embriagadas, como eu
nadando pelos olhos do vento
esbugalhada,
mulher afogada de medo,
areia por entre os dedos dos pés
sereia e bolo de chocolate.
Deixa-me sentar aqui
engolir o sono
e fechar-me com uma manta de lã
num prado, a dormir.
Amanha quero orvalhar e rir,
anda, que se faz tarde.
9.5.12
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