13.11.16

cicatriz

se eu a pudese arrancar dentro de mim 
é um trilho por onde escorre a carruagem da dor
que sai da paragem do nevoeiro para me incendiar
onde estive eu 
porque é que isto aconteceu?
tantas vezes que eu não quero acreditar 
volto a cada momento atrás à procura de espreitar
para impedir que não tivesse acontecido
um dia eu chorei sozinha muito 
no fundo havia uma razão para estar sozinha
voucontinuar sozinha
como e que eu posso acreditar

vou saltar de pedra em pedra rodopiar com o vente
fazer amosr com as ondas do mar
e não voltar mais para este mundo que escorre na maninha cicatriz
vou beber vou sonhar drogada despedia de amor
custa tanto custa tanto 
onde doi é tao fundo
gostva de me curar com mel com ua estrada demel e hortela
um doce quentinho que me parasse esta dor
encavalitada como um gancho como um monstro

sera que vou conseguir perdoar?
é tão bruta tão cruel tão nojenta a verdade
acho que só vivo embriagda quando os nossos corpos se juntam 
não tenho mais nada sou nada
sou mesmo nada 

6.7.16

nua

nua sou eu
adoro quando o vento toca nos meus cabelos e me acaricia o rosto
adoro quando entro no mar vestida apenas com o meu corpo
tenho saudades de estar viva

Tenho tanta saudade de aqui estar



19.3.16

deitei-me num vale

que tinha um colchão de flores
senti um arrepio de sono
e as paredes da montanha fechara-me sobre mim
acacharam o meu cansaço
e eu adormeci embrulhada
deslizando pelo vale em direcção ao mar

1.3.16

A minha roupa despiu-me

só para ter o prazer de me ver nua
para depois voltar a
abraçar-me com o seu corpo

30.1.16

Mar

acacha-me de mansinho
com as tuas ondas
para eu dormir ao pé de ti
salgada na areia molhada

26.1.16

às vezes dou por mim

a descer ao fundo do meu corpo
para encontrar o fundo do mar
onde sei que me deito e adormeço

24.1.16

Eu sonho quando eu acordo

despejada na areia
pelos braços de uma onda
vestida de múmia.
É então que a minha força rebenta a crisálida
e eu ergo-me esvoaçante
vestida de lenços brancos transparentes
que perfumam os raios de sol quando eles passam por mim
caminho de cabeça erguida
respiro a melodia do meu sorriso
e começo a voar



23.1.16

Adoro quando a vida faz de tábua

e me deixa escrever quem eu sou
para eu me ler ao espelho
nos dias em que me perdi

Eu amo o mar

21.1.16

coração azul

vem espreitar debaixo da minha cabeceira
descalça te para veres o mar comigo

20.1.16

Sem respirar

cerro so dentes
vivo enterrada
morro num sopro

Nasci levantada pela mão do mar

nasci levantada pela mão do mar
que sem dor rasgou a sua pele à superfície
para me trazer a  respirar a maresia aquecida pelo sorriso do por do sol
mergulhei muito longe com a minha cauda de sereia
até partir o cordão umbilical que me prendia ao leito do mar
desci ao escuro e ao frio das profundezas marinhas
para me vestir de reluzente pela bioluminescência
prendi nos meus cabelos um véu de alforrecas e ctenóforos brilhantes
respirei o enxofre das fumarolas das cristas oceânicas
um vulcão ensaguinou-me de lava dragão de fogo
rebentei a pele do mar e fui jorrada contra a areia
parti a crosta azul e tóxica que me cobria,
sacudi-me para me voltar a cheirar
olhei-me ao espelho no vitrio da água
e encontrei nos pés da areia um colar esmeralda
tenho-o no peito
e quando adormeço com ele sonho que voo dentro do mar
numa espiral que me rodopia e me leva até às estrelas para eu dançar