nos dias que se fecham com o orvalho
lembro-me do meu avô Gaspar
onde eu me sentava ao colo para solfejar
o meu avô foi contrabandista de açúcar e bacalhau
tinha um café com chocolates que eu comia no pão
tocava violino
fazia caixões brancos com motivos dourados
tinha um grupo de teatro
e fazia sessões de cinema para a nossa aldeia na garagem anexa ao café
passava os dias a esmagar alho
assava leitões e cheirava muito a alho
o meu avô Gaspar lançava foguetes nas festas
e por isso eu chamava-o de "chapar dos pumas"
era um homem grande como o tronco do nosso sobreiro
deixou-me o seu violino,
as asas para eu voar como ele
nunca lhe disse que sou assim como ele
mas ele sabia-o e via-o em mim pequenina
29.5.14
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