18.4.12

tenho de voltar a ser árvore

e espreguiçar-me da raíz que me aperta
para encontrar o teu cheiro, avó
descer pelas nesgas da tua pele
e bambulear-me ao borralho
no mosto, pés nas uvas,
no calor da sopa de feijão servida na caruma
no cabo da enchada e nas tuas unhas pretas de terra
na desbulhadora de milho que enchia os alqueires de farinha

quero voltar ao teu cheiro, avó
ao cheiro da canela doce das broas de sábado

tenho saudades de ti





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